As exportações de café do Espírito Santo registraram um avanço expressivo nos nove primeiros meses de 2026, com impactos diretos no dinamismo econômico de Linhares e de todo o polo produtor do Norte e Noroeste capixabas. Entre janeiro e setembro, o Estado embarcou 5,086 milhões de sacas para o exterior, uma alta de 58% na comparação com o mesmo período de 2025.
Segundo dados do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), a receita cambial gerada pelas vendas externas alcançou US$ 1,2 bilhão (mais de R$ 6 bilhões na conversão atual), alta de 28% em relação aos nove primeiros meses do ano passado.
Os números reforçam a liderança de Linhares e dos municípios vizinhos — como Sooretama, Jaguaquara, Colatina, São Gabriel da Palha e Marilândia — na produção, processamento e logística do setor cafeeiro.
O grande motor desse crescimento é o café conilon, cultura com forte concentração de área plantada e investimentos em tecnologia na Região de Linhares. Nos primeiros nove meses do ano, foram comercializadas 4,22 milhões de sacas de conilon com o mercado externo, fatia que equivale a 83% de todo o volume exportado pelo Estado.
Trata-se do terceiro maior volume acumulado da série histórica para a variedade. Pelas projeções do CCCV, caso o ritmo dos embarques seja mantido até dezembro, o Espírito Santo encerrará 2026 com o segundo maior volume anual de exportação de conilon de sua história, atrás apenas do recorde de 2024.
O levantamento do setor também apontou desempenhos distintos para outras categorias:
Café Arábica: registrou alta de 31% nos embarques, alcançando 583 mil sacas;
Café Solúvel: teve queda de 17%, somando 289 mil sacas exportadas;
Preço Médio: fechou o período em US$ 236 por saca.
O grão capixaba chegou a 63 países até setembro. A Bélgica lidera como principal destino das exportações (15%), seguida por México (12%), Alemanha (8%), Colômbia (8%), Estados Unidos (7%), Espanha (7%), Itália (6%), Turquia (5%), Reino Unido (5%) e Argentina (4,5%).
Os dados consolidados refletem o movimento constante nas propriedades rurais, armazéns, cooperativas e tradings estabelecidas ao longo da BR-101 e nas rodovias estaduais que cortam a região de Linhares.
Apesar da alta no volume financeiro total exportado, especialistas do setor destacam que a margem real de rentabilidade do produtor depende diretamente de fatores como o custo dos insumos, oscilações das cotações diárias e despesas operacionais da colheita.