Cidades Linhares
Área ocupada pelo MST em Linhares pode dar lugar a polo industrial, diz Ricardo Ferraço
O governador destacou a localização estratégica do terreno, próximo à BR-101 e ao polo industrial de Bebedouro, onde já estão instaladas importantes empresas
04/09/2026 12h30
Por: Redação
O governador e candidato à reeleição, Ricardo Ferraço, afirmou durante uma sabatina realizada em Vitória na última segunda-feira (31), que a área do Governo do Estado ocupada por famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na comunidade do Palhal, em Linhares, poderá ser destinada à implantação de um polo industrial.
 
Segundo Ferraço, uma grande empresa que avalia a possibilidade de investir no Espírito Santo já visitou a região para conhecer a área. O governador destacou a localização estratégica do terreno, próximo à BR-101 e ao polo industrial de Bebedouro, onde já estão instaladas importantes empresas.
 
A declaração foi feita durante uma pergunta sobre a decisão do governo de suspender o processo de doação da propriedade às famílias que ocupam o local. A área havia sido adquirida pelo Estado e, durante o Governo Renato Casagrande, teve sua doação formalizada para as famílias. Ao explicar a mudança de posição do governo, Ferraço afirmou que a suspensão da doação ocorreu justamente para que o Estado possa avaliar uma nova destinação para a propriedade.
 
"A suspensão dessa doação é para que nós possamos encontrar uma alternativa, mas possamos manter essa área, porque nós temos um projeto de levar para ali um polo industrial", afirmou.
 
Na sequência, o governador revelou que uma empresa já esteve no local.
 
"Recentemente, nós recebemos uma grande empresa que veio prospectar a possibilidade de investimento aqui no Estado, e ela foi fazer uma visita a essa região, ali em Palhal, que fica muito perto da BR-101, muito perto também do polo industrial de Bebedouro, onde tem importantes indústrias", disse.
 
GOVERNO DIZ BUSCAR ALTERNATIVAS PARA FAMÍLIAS
 
A possível destinação da área ocorre em meio a uma discussão fundiária que se arrasta há anos. Durante a sabatina, Ferraço afirmou que o governo pretende encontrar uma solução para as famílias que vivem no local, mas voltou a diferenciar o assentamento rural de uma ocupação considerada irregular.
 
"Uma coisa é assentamento, outra coisa é invasão de terra", declarou.
 
O governador disse ser favorável ao assentamento organizado de famílias que não possuem propriedade, desde que  acompanhado de políticas públicas, assistência técnica e outras medidas que permitam a produção e a permanência das famílias de forma estruturada.
"Eu sou a favor de assentamento organizado, em que você inclusive entre com assistência técnica, com extensão, com transferência de competitividade, de informação e de conhecimento, para que as pessoas possam produzir e viver em paz", afirmou.
 
Segundo Ferraço, o objetivo agora é conciliar a situação das famílias com o interesse do Estado em manter a área para um possível empreendimento industrial.
 
"Então, nós queremos uma solução para essas famílias que lá estão, mas não é uma solução que passe por invasão", destacou.
 
ÁREA É CONSIDERADA ESTRATÉGICA
 
Na avaliação apresentada por Ferraço, a localização do Palhal é um dos fatores que tornam a propriedade atrativa para um eventual empreendimento. A área está próxima da BR-101 e do polo industrial de Bebedouro, uma das principais regiões industriais de Linhares.
 
Durante a sabatina, o governador também relacionou a atração de grandes empresas à estratégia de desenvolvimento econômico do Espírito Santo. Ele citou investimentos de empresas como GWM, VEG e Marcopolo como exemplos de empreendimentos capazes de gerar empregos, ampliar o consumo e fortalecer a arrecadação estadual. 
 
No caso específico do Palhal, contudo, ainda não há confirmação de qual empresa poderia se instalar no local, nem de que o polo industrial mencionado pelo governador já esteja formalmente definido. A declaração indica que o governo pretende manter a propriedade sob seu controle enquanto avalia possibilidades de uso econômico da área.