Economia Linhares
De pé de cacau a chocolate: produtora de Linhares transforma colheita em negócio próprio
Vanderleia Pompermazer Camata cultiva cerca de 2,5 mil pés de cacau no Sítio Santa Rosa e hoje produz chocolate, mel de cacau, nibs, cocadas e bombons artesanais
23/09/2026 15h04
Por: Redação

No Sítio Santa Rosa, em Linhares, a produtora rural Vanderleia Pompermazer Camata deixou de vender apenas o cacau colhido na propriedade e passou a transformá-lo em produtos prontos para o consumidor, do chocolate ao mel de cacau.

Entre as criações está um chocolate sem açúcar, feito com o cacau da própria lavoura, iniciada há cerca de seis anos e que hoje soma aproximadamente 2,5 mil pés. Além do chocolate, a colheita também vira mel de cacau, nibs, cocadas e bombons artesanais.

Do cacau aos derivados

A mudança começou a ganhar força quando Vanderleia passou a integrar o projeto Mulheres do Cacau, coordenado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). Com os cursos e capacitações oferecidos pelo projeto, ela aprofundou seus conhecimentos sobre manejo, qualidade das amêndoas, processamento e comercialização, e passou a enxergar novas formas de valorizar o que produzia.

"Isso me deu um novo horizonte. Vi muitas possibilidades", conta.

O aprendizado se refletiu na qualidade do que ela colhe. Em 2025, Vanderleia participou pela primeira vez do Concurso de Qualidade de Amêndoas de Cacau Capixaba e ficou entre as dez melhores do Estado. Em 2026, voltou a figurar entre as dez finalistas, desta vez com duas amostras inscritas.

Uma trajetória de mudança pessoal

A caminhada no campo também acompanhou uma transformação na vida de Vanderleia. Antes de se dedicar mais intensamente à atividade rural, ela enfrentou um período de depressão e passou a buscar mais autonomia, o que a levou a participar de cursos e atividades fora da propriedade.

Uma das conquistas nesse processo foi tirar a carteira de motorista, o que permitiu que ela passasse a se deslocar sozinha, sem depender de outras pessoas.

"A minha carteira, para mim, foi algo grandioso. Foi a minha liberdade", relata.

Hoje, Vanderleia une a produção rural ao processamento artesanal. O cacau que antes saía da propriedade apenas como matéria-prima agora chega ao consumidor em diferentes formatos, com a marca do trabalho e da história de quem cultivou cada pé.